Nesse calor, seguir dietas líquidas, substituindo refeições por sucos, sopas e vitaminas, parece uma boa pedida. Mas como o corpo reage a essa mudança alimentar?

Ao substituir refeições por sucos ou sopas, o líquido não sustenta o organismo. Uma hora o cérebro pede para mastigar alimentos.

“Ela tem um efeito limitado, porque uma pessoa precisa de 2.000 a 2.200 calorias para manter o peso corporal. Se ela passa a tomar 600 calorias em uma sopa, não tem como não emagrecer”, diz a nutricionista Josefina Bressan, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Encontrar respostas é um desafio para as nutricionistas e pesquisadoras Josefina Bressan e Denise Machado Mourão. Suco de melancia ou a fruta em pedaços: o que mata a fome por mais tempo?


Um estudo feito por elas nos Estados Unidos investigou o que acontece com a nossa fome, quando ingerimos alimentos líquidos e sólidos. Ao todo, 120 pessoas participaram do estudo, entre homens, mulheres, gordos e magros.

As porções de líquidos e sólidos eram idênticas. Havia a mesma quantidade de calorias na fruta e no suco. Os voluntários comiam em um dia a refeição líquida, e no outro, a sólida. Depois, comiam pequenos sanduíches até ficarem satisfeitos. Não deu outra. No dia dos líquidos, a fome era sempre maior.

“Por exemplo, nos dias em que eles testavam os líquidos, eles já comiam mais sanduíches na hora do almoço, comparando com o dia em que eles comiam o sanduíche e o sólido”, diz a nutricionista Denise Machado Mourão. “Também ao longo do dia, a gente viu isso. Então, a fome veio muito mais rápida”.

“Com a dieta do suco, do segundo para o terceiro dia, você fica fraca. Não tem condições. Aí, quando passa o efeito, você está fraca e precisa comer. Então, você come o dobro”.

Os pesquisadores confirmaram que ninguém aguenta muito tempo se alimentando só com líquidos. Chega uma hora em que o cérebro pede para comer e mastigar alimentos. A pesquisa também revelou que se engana quem pensa que vai emagrecer trocando uma boa refeição por sucos, vitaminas e sopas.

Ao mastigar os alimentos, enviamos sinais ao cérebro. No hipotálamo, ficam os centros de controle da fome e o da saciedade. É ali que chegam as informações de que estamos nos alimentando.

Outros sinais vêm do sistema digestivo. Quando a gente mastiga e engole os alimentos, o estômago vai enchendo e as paredes vão se distendendo. Este movimento ativa receptores estomacais que enviam sinais ao centro de controle da fome no cérebro.

A presença de comida no estômago inibe a produção de grelina, o hormônio da fome, e aumenta a produção de leptina, o hormônio da saciedade.

“A fome não é por alimento líquido. Ela exige algo que mastigue. Então, normalmente são pães que ela vai comer ou algo que ela possa colocar na boca e mastigar”, diz a nutricionista Josefina Bressan.


Ainda assim, essas dietas sempre atraem muitos seguidores. São centenas de páginas na internet. O problema é que, a cada tentativa desesperada de emagrecer, a pessoa faz dietas pobres em nutrientes, perde peso, mas não perde gordura e, sim, massa magra, que são os músculos. E quando engorda de novo, não recupera a musculatura. Ganha gordura!

“Por que algumas pessoas dizem que já tentaram de tudo e não conseguem? Porque a composição corporal está toda modificada”, alerta diz Josefina Bressan. “É mais difícil voltar a essa saúde. O que a gente está tentando colocar na cabeça das pessoas é não ganhar peso. E se ganhar peso, perder de forma saudável”.


 

Fonte: Globo Reporter



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